quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dia internacional da Não-violência contra a mulher


O Blog Mamiferas e o Parto no Brasil estão divulgando uma blogagem coletiva para o Dia 25/11, que é o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, para divulgar a realidade da obstetrícia no país e conscientizar a todos que ela não é aceitável e precisa ser mudada.

Nós do Ishtar Sorocaba participamos da blogagem mostrando nossa indignação com as tantas formas de violência que as mulheres passam no momento do parto (trabalho de parto, parto e pós-parto). Com 3 anos de Ishtar Sorocaba e em nosso trabalho como doulas, já vimos muitas cenas revoltantes que infelizmente são corriqueiras em nosso país. O que mais entristece é que muitas dessas violências estão tão enraizadas que são consideradas como de rotina até pelas mulheres usuárias, que mesmo sofrendo, aprendem culturalmente que sofrer com maus tratos no hospital a parir é "normal", mesmo que doído.

Vamos apostar que você já passou por alguma violência ou já ouviu alguma dessas em seu grupo de amigas ou familiares?

- A mulher geme, grita e pede ajuda diante da dor e da inexperiência no trabalho de parto. O profissional mais próximo diz: "Na hora de fazer foi fácil, né?" (essa é clássica), ou "Gritar fará o seu bebê subir, você não está ajudando o seu bebê nascer". Mentir ou fazer com que a mulher se sinta diminuída também é violência.

- A mulher queria muito um parto normal, mas o médico disse: "Você não tem passagem", "Você não tem dilatação, mesmo já com 38 semanas!", "Seu bebê está recebendo poucos nutrientes, vamos marcar a cesárea para amanhã", "O cordão está enrolado no pescoço, é perigoso!"... (e assim vai, vale um post só sobre isso). Novamente, mentir ou induzir a mulher a escolhas não seguras para comodidade médica é violência.

- Episiotomia, isso mesmo, aquele corte ou "pique" como dizem as nossas mães é desnecessária. Quer uma violência maior do que cortar o corpo de uma pessoa sem finalidade ou indicação?

- Ocitocina ou uso de qualquer outro medicamento durante o trabalho de parto como forma de rotina, sem explicação a mulher e sem muitas vezes avaliação individual também é violência. Ah, mas todo mundo recebe o "sorinho", né?

- Litotomia ou para os leigos, aquela posição tradicional para parir: deitada, com as pernas presas, erguidas. Totalmente contraindicado e constrangedora! Violência também, exposição, humilhação.

- Exames de toque. Qual mulher foi questionada se queria passar por esse procedimento ou foi informada do porquê dessa necesssidade? Violência.

- Raspagem de pêlos e lavagem intestinal. Muita gente ainda acha que é normal passar por isso, pois aprendem que as secreções de sues corpos e os pêlos são sujos, são maléficos ao bebê; são práticas que não devem ser feitas rotineiramente e a mulher tem o direito de escolha. Quando esse direito é barrado, a mulher passa novamente por violência.

- Amamentação. Desestimular, desacompanhar e falar inverdades que possam prejudicar a amamentação: violência.

Da forma mais sutil a forma mais brutal, muitas são as violências que as mulheres passam em um momento que deveria ser o mais sublime e respeitoso.

Vamos disseminar informação? Vamos mostrar que as mulheres tem direito e dar um basta na violência!

2 comentários:

Sylvana disse...

Lindo, meninas!

Nayra disse...

Eu passei por algumas dessas violências durante meus dois partos... Mas fui forte o suficiente no segundo de brigar com os médicos a fim de não fazer a episio. Olha que insistiram e eu gritei que NÃO!!! Minha bebê nasceu sem nenhuma laceração.

Olha o que eu ouvi: - se não fizer o corte vc vai ficar horas fazendo força. E muita força mesmo.
Respondi super decidida: - Não me importo! Vcs NÃO vão me cortar